segunda-feira, 25 de junho de 2012

É a vida...

Acho que eu deveria escrever isso aqui quando estivesse fazendo 40 anos, mas pra quem entrou na crise dos 25 aos 20 e na dos 30 aos 35, a crise dos 40 ao completar 38 já está até que bem atrasada.

E sabe o que eu posso dizer? Que a vida é boa pra cacete!

Beirando os 40 anos, eu não sou o típico sujeito que tem um pé-de-meia (com hífens mesmo, que a reforma ortográfica provavelmente descartou). Geralmente estou entalado em dívidas, tendo ficado mais tempo na minha vida adulta lidando com SPCs e Serasas do que com bom crédito na praça. Não tenho carro (nem carta), nenhum imóvel, nenhum "patrimônio" como os outros costumam chamar.

Não vou mentir, isso me chateia um pouco. Mas achar a vida ruim? Nem de longe!

Sempre sonhei em trabalhar para as editoras de HQ nos EUA, mas nunca conquistei isso (com boa parcela de culpa minha que me acuei na primeira tentativa aos 15/16 anos e achei que era um sonho distante demais). Escolhi, das tais profissões estabelecidas, uma carreira que, apesar de não ser aquela que sempre sonhei, me dá motivos para algum orgulho. Sou bom no que faço, e não pretendo ser modesto quanto a isso. Mas não serei arrogante de dizer que sou o melhor. Tem muita gente melhor do que eu, e não precisa ir muito longe, nem sou o melhor que eu poderia ser! Mas sou bom o bastante para me orgulhar e para merecer o respeito de quem me emprega. Respeito esse que poucos dos que exercem a mesma função que eu, ganhando 3 vezes mais, têm de seus empregadores na "cidade grande". E nessas, estou com quase 18 anos de profissão. 

Descobri outra paixão profissional quando já parecia consolidado no meu "day job", ensinando. Ensinar no sentido mais amplo da palavra, que inclui aprender. Aprendo com meus alunos, aprendo comigo mesmo e descubro que ainda tenho alguns truques na manga que nem eu mesmo sabia que estavam lá. E ensinar não é só passar matéria e cumprir programa educacional. E acompanhar o aluno, apoiar, ajudar, e OUVIR o aluno. É mostrar que ele pode. Quem sabe se todo professor fosse assim eles também encontrariam, como eu encontrei, alguém que, mesmo com metade da sua idade, te dá o feedback que você sempre esperou encontrar. Que  você pode ver como um igual, que te mostra que o patamar não é estabelecido pela idade, mas pela cabeça. 

Não ganho tão bem, mas ganho o máximo que quem me paga pode pagar, e isso é dizer muito num mundo onde todo mundo (inclusive eu) prefere pagar o mínimo. Não sobra, as vezes falta, mas quando não sobra, as contas estão pagas, e quando falta, no fim sempre tem alguém que me ajude a me reerguer. 

Acho que porque, desde sempre, soube escolher as pessoas que me cercam. Ouço tanto falar de decepções, mas parando pra pensar, conto nos dedos de uma mão, com folga, as vezes que alguém me decepcionou.

Estou chegando aos 40 (ok, 38, mas sabe como é...) solteiro, sem filhos e "sozinho". E isso pesa, bate a falta de ter um alguém, mas me vejo na posição privilegiada de poder dizer que não vivi casos. Vivi amores. Sempre que estive com alguém, cuidei, tratei e vivi aquele amor como se fosse pra sempre (e eu sempre achava que era), olhando o futuro, sonhando junto. Nada contra viver casos... só que aprendi que isso não funciona pra mim. Comigo são amores, e lembro de cada um deles (não se espante com minha memória, que na verdade é uma grande merda, é que foram poucos, então fica mais fácil lembrar) com carinho e saudade, Até mesmo dos que nunca foram abertamente declarados ou se concretizaram. Me fizeram ver que eu ainda era capaz de acreditar no amor, de sentir e de sorrir por isso. E olha que não foi uma nem duas vezes que achei que tinha perdido isso.

Não tenho tudo o que quero e, agora sim, vou me permitir a arrogância de dizer que nem tenho tudo o que eu acho que mereço. Mas eu tenho muito do que eu preciso. E quando me faltou algo, raras foram as vezes em que não apareceu alguém que supriu essa falta.

Sou de ter amigos, mas sei que não sou muito frequente com eles. Sou de ficar em casa, na minha e isso me mantem meio distante deles. Mas só fisicamente, pois a grande maioria genuinamente me mostra que amizade não é frequência, é sintonia. E eu sinto essa sintonia mesmo com os amigos que ficam anos sem muito contato. O meu carinho por cada um deles, eu tenho de volta. E isso é que é amizade. 

Todo mundo diz que eu reclamo de tudo e reclamo mesmo... de prazos, de chatos, de faltas e sim, reclamo da vida. Mas são reclamações. É vazão à pressão. Deu vazão, passou. Porque a vida é boa, por mais incompleta que ela seja. Dor? Já tive tantas....das piores espécies. Daquelas que você acha que vai morrer! Mas ai você percebe que você não morreu, que chega um ponto em que você vive aquela dor porque você se acostumou a ela. E aí você segue em frente. E sofre com outras dores, mas já aprendeu que por mais que ela pareça capaz de te levar a morte, só parece, mas não vai.

Muitas vezes até eu penso que não vivo a vida como deveria. Deveria sair mais, trabalhar menos, viajar, "curtir" quando na verdade passo meus momentos de folga entre leituras, desenhos e seriados.... milhares de seriados. Aí vejo como me sinto bem assim, e vejo que na verdade não estou vivendo a vida como os outros acham que ela deve ser vivida. Estou vivendo a minha vida do meu jeito. Certo ou errado, quem sabe.

Ainda quero muitas coisas, e aos poucos, do meu jeito, vou tentando fazer com que elas aconteçam. Se demora mais é porque eu me preocupo com quem me cerca. Eu gosto de me preocupar com quem me cerca.

Sou ateu. Não tenho medo do inferno, de ser julgado por divindades. Mas sei que sou um sujeito bom. E sim, me orgulho disso (orgulho é pecado pra quem acredita em pecado). Sou uma boa pessoa porque fui criado para tentar ser sempre o meu melhor. 

Falta um pouco (MUITO POUCO) para os 40, mas eu diria, depois dessa revisão simples, mas até que bem completinha, que o saldo até aqui é positivo.

Agora? Agora eu vou é dormir que amanhã tem mais trabalho pela frente!  

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Passa a sacolinha...

Você acreditava mesmo que eu ia voltar a escrever qui? Nem eu... mas eu postei minha revolta (sim, continuo reclamando das coisas) no Facebook e pensei "Postarei no Café do Flexa"

Então... aqui está! :D

Resumão do que eu acabei de ouvir durante o almoço:
Amanhã deixam de ser distribuidas as sacolas plásticas nos supermercados. É para ajudar o meio-ambiente? Claro que não, amiguinhos!!!

Veja só... hoje vc vai no mercado, leva as compras para casa nas sacolinhas plásticas Vc não usa saco de lixo (que é plastico) e usa as sacolinhas (que é plástico) para o lixo. OK

A partir de amanhã, você não vai ter mais sacolinha plástica e vai ter que usar saco de lixo (que é plástico).

A vantagem para o meio ambiente? ZERO! Você continua a jogar plástico no lixo e nada muda.

Mas a composição do saco de lixo é diferente e menos danosa ao meio ambiente do que a sacolinha? NÃO!!!! É PLÁSTICO!!!!! Palavra do especialista na TV...

Então eu agora tenho que fazer compras levando os amigos pra poder carregar tudo pra casa? Bom, vai ter uma sacola biodegradável que vc pode COMPRAR no supermercado. E é claro, vai pagar por unidade!

Viu a vantagem agora? O supermercado que gastava fortunas com sacolinha simplesmente deixa de gastar e te cobra por cada sacola que vc precisar usar a partir de agora.

A vantagem é só deles.

Pra mim, que não tenho carro, além de ficar difícil comprar em maior quantidade as coisas no supermercado (que é o porque de eles existirem) além de virar um problemão levar as compras, ainda vou gastar mais com saco de lixo e com as sacolas biodegradáveis..... E NÃO AJUDAR EM NADA O MEIO AMBIENTE!

Manobra interessante essa dos supermercados, né? Te repassa o custo da sacola, não te dá vantagem alguma, te atrapalha na hora da compra e o meio ambiente que se dane.

Mundinho de merda né?
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