domingo, 24 de abril de 2011

Atenção, religiosos: não leiam o Post abaixo

É... agora você não pode dizer que Não foi avisado. Leia por sua própria conta e risco.

Quem me conhece sabe que fé religiosoa é algo que eu, infelizmente, não tenho. E na verdade invejo quem tem.

Imagino que deve ser realmente maravilhoso deitar a cabeça no travesseiro toda noite sabendo que, se você é uma pessoa boa, não há nada a temer. Que vc será salvo, que terá uma vida após a vida (pra evitar dizer vida após a morte) melhor do que qualquer coisa que vc possa imaginar. Que existe um plano traçado pra você e que você está nesse mundo com um objetivo a cumprir.

Infelizmente eu não acredito nisso.... e me pergunto, realmente, como alguém consegue acreditar.

Ok, fé não se explica. Vamos seguir por essa linha de raciocínio por um instante.... como fé não se explica? Fé sem sustentação pra mim está mais para auto-enganação do que para algo divino. Você acredita que existe um plano superior, que existe paraíso, inferno, reencarnação...isso tem que ter fundamento em algo real. Uma crença não surge do nada.

A maior parte dos que acreditam nessas coisas o fazem porque foram criados e ensinados que tudo isso é real. E foram criados assim por pessoas que foram criadas assim.

Vamos então lembrar que durante muito tempo, a raça humana foi criada acreditando que escravidão era natural. que uma parcela da raça humana era superior a outra. Até em coisas menoss importantes, como nadar após comer... a crença nisso vem da educação que tivemos, sem nunca contestar a verdade que nos foi passada por nossos pais, que obviamente sabem o que estão dizendo.

Pois bem...eles também disseram que seu cachorro foi morar num sítio, onde ele é mais feliz. E hoje você sabe que eles disseram isso pra evitar que você sofresse ao saber que seu cachorro morreu.

Aplicando isso na história da humanidade, porque é mais fácil acreditar que exista mesmo um paraíso após a morte do que entender que a base dessa crença é mesma daquela do sítio para onde seu cachorro supostamente foi levado?

Consigo ver um dia um pai dizendo para um filho que sua mãe partiu para o paraíso que existe para os bons quando estes morrem na Terra, para dar um sentido de continuidade para essa criança que pudesse equilibrar o sentimento de perda. E vejo isso como algo tão simplesmente humano que poderia se repetir em culturas das mais variadas.

A crença na vida após a morte é a base que sustenta a maioria de nós. Sem ela, grande parte da população não veria sentido em fazer nada da vida. Seria o caos.

Mas tudo isso foi para introduzir o assunto ainda mais polêmico. A Igreja Católica. A crença cristã.

Eu tento ver o que o cristão vê. Eu tento ver um homem milagroso que morreu para lavar o pecado de todos. E não consigo.

É inevitável aceitar que alguma parte da história de Jesus seja verdadeira. O que se fala hoje tem que ter partido de uma base real.

Então vamos dizer que eu aceito a existência do Jesus histórico. Existia um homem chamado Jesus, que via a realidade de sua época com uma clareza que outros não viam, que via a necessidade de mudança e tinha uma estratégia de como fazer com que essasmudanças acontecessem.

Na minha cabeça, Jesus foi um rebelde. Ele enfrentou o status quo, criou uma rede de conexões que disseminou sua visão e colocou na cabeça do povo que a vida deles podia ser melhor se o mundo funcionasse daquela forma.

Não descarto nem mesmo a possibilidade de que ele, ou seu grupo de seguidores, intencionalmente plantou cada uma das histórias de seus milagres de cura, enfim... uma pessoa com uma capacidade tão desenvolvida de ver o mundo como ele era, teria total capacidade de ver que lidar com o mítico, com o irreal e o supersticioso era a maneira mais rápida de se fazer ouvir. Fazer valer sua palavra se colocando numa posição de ser alguém que valia a pena ser ouvido. Alguém por quem valia a pena lutar.

E seu plano funcionou tão bem que mesmo sua morte não calou suas palavras. Mais do que isso, fez com que elas valessem mais.

Criou-se o mito, o ícone. E com o tempo, até mesmo a maior potência do mundo antigo teve que se curvar a ele. O Império Romano cristianizou-se. Mas não por fé, mas por política.

Olhando para o passado, e sabendo o que sabemos, como crer que a história cristã é mais do que uma rebelião que rendeu frutos? Como ver religiosamente atos humanos?

Hoje vemos o poder de Roma ainda de pé, não como o grande império de antes, mas como centro da maior religião do mundo, com suas próprias leis, suas próprias posturas, sua própria linha ética que os coloca a parte da sociedade comum.

Vemos datas religiosas serem comemoradas cegamente, mesmo sabendo que elas foram tomadas de outras cultuiras e crenças, apenas para facilitar a entrada da nova religião e da nova vida no cotidiano dos povos dominados. E sabemos disso. temos registros históricos que mostram isso... e ainda assim deixamos passar como uma data cristã, com simbolismos cristãos...

Vemos padres pedófilos intocáveis pela lei comum por serem parte de uma sociedade diferente da nossa... E eles só podem ser punidos pelos seus iguais...

Hoje é Páscoa. Eu sei que esse é um feriado pagão sem nenhuma ligação real com Jesus, com ressurreição... E vejo a TV inundada de inverdades repetidas por serem passadas a tanto tempo como verdades que ninguém tem coragem, vontade ou força de combater, mesmo sabendo que tudo isso nunca foi mais que um movimento político para fazer as massas engolirem uma nova crença.

A única coisa que me consola é ver essa história se repetir... e perceber que Páscoa é cada vez menos a ressurreição de cristo e cada dia mais o Dia do Chocolate. Que Natal é cada vez menos o nascimento de cristo, e cada dia o Dia do Presente.

A história se repete... E eu, ao mesmo tempo que me sinto um pouco triste por não acreditar cegamente em algo, me sinto feliz por ser capaz de ver além daquilo que me foi passado como verdade.

Talvez seja hora de uma nova rebelião... será?

PS: Não quero atacar ninguém com este post...apenas dar voz aos meus pensamentos, já que os que acreditam em tudo isso sempre puderam expor seus pensamentos.

A idéia é colocar uma interrogação e questionar a validade de uma crença que é tão incompatível com tudo o que sabemos.

Mais do que isso, desejo a todos um ótimo Dia do Chocolate! :D

3 comentários:

  1. Admiro a tua coragem

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  2. OOOOOOOOOOOOOOOOOOpa!!!

    Muito bem exposto o seu ponto de vista!!! E ao contrário de censurar, acredito realmente que todos deveriam ler opniões como esta!!! Até mesmo os "que acreditam", pois a gente NUNCA acredita realmente em alguma coisa se nunca questionou ela!!

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  3. Fala, Flexa! Cibulski, como vai? Acho fantástico ler coisas que geram polêmicas. Aqui no escritório, sou espírita, meu sócio é católico, temos 2 ateus, uma garota que acredita em algo maior, mas odeia religiões e mais 3 pessoas que não tem opinião formada. É quase um zoológico e, volta e meia, temos diversos debates que consomem horas de trabalho. A melhor parte é que nós não nos matamos e nem declaramos guerra, uns contra os outros.

    Enfim, lendo teu texto acho bacana separar o assunto em duas partes bem claras. Uma é a fé... que é realmente algo estranho, mas que não precisa ser necessariamente fruto da cultura ou da educação. Outra parte é a questão da igreja católica e, se me permite, da maioria das religiões.

    Simpatizo com sua visão sobre Jesus. Acho que agitador político é um rótulo que se encaixaria bem, sem querer jamais diminuir sua importância no cenário cristão. Penso também que é impossível que uma história registrada com atraso e aos pedaços, por diversos autores, possa ser crível e fiel aos fatos. Concluindo, divido a insatisfação com a manipulação e excesso de política que norteia a igreja desde sempre.

    Já a fé, é estranha mesmo e não sei se explicá-la ou encontrar suas raízes muda alguma coisa em algum sentido. Da mesma forma, acho simplório assumir que, por não entendermos as motivações da fé, se trata de auto-enganação. Na verdade, essa dicotomia agressiva parece ser contrária à natureza e à flexibilidade comuns à alguém com inteligência acima da média e perfil questionador.

    Acho que se uma pessoa precisa ser convencida a ter fé porque uma equação ou o LHC provaram alguma coisa neste sentido, a pessoa não tem fé, apenas foi convencida. Sem querer ser piegas, temos fé (em qualquer coisa) simplesmente por tê-la. O mundo não precisa ser matemático, científico ou estatístico sempre para ter sentido.

    Uma coisa que seria bacana para dar consistência a um debate deste tipo, seria ter conhecimento das filosofias e religiões, tendo contato com suas ideias. Digo isso com base em um dos ateus que trabalham aqui. Ele é convicto sobre a inexistência de Deus e, quando surgem os bons debates, ele argumenta citando as ideias contidas na Biblia, no Alcorão, na filosfia Budista e em mais um punhado de manuais religiosos que ele já leu e releu.

    Obviamente, nem sempre concordo com ele. As vezes, ninguém concorda com ninguém. Mesmo assim, acho que para se questionar crenças, métodos religiosos e fé com propriedade ou mesmo para especular sobre uma nova rebelião, se informar sobre a Biblia, o Livro dos Espíritos, o Alcorão, o Torah e outros "Manuais de diretrizes religiosas da crença XYZ" poderia ser uma boa. A ideia não é mudar o pensamento de quem lê, mas sim dar uma base mais ampla para se pensar no assunto. ;-)

    Feliz dia do chocolate atrasado e, me adiantando, feliz dia dos presentes de fim de ano!

    Abração,
    Cibulski

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